Por que nos escondemos?

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A impressão que a sociedade “online” passa é diferente da offline; cada vez mais presencio opiniões á respeito da falta de ideologia entre as pessoas, trocando sua própria identidade em troca do famoso status e fama imediata, sem esforço, sem um por quê. Estaríamos ficando iguais ? Observo um acontecimento frequente no ON e OFF: muitas pessoas do meu convívio ou não, compartilham do gosto pelos mesmos artistas, das mesmas baladas, dos mesmos barzinhos, dos mesmos esportes e do mesmo estilo; aí há algo normal, já que geralmente estamos próximos de quem é semelhante a ~nosotros~, mas, há algo diferente: experimente olhar para a fila de uma balada e note como principalmente as garotas parecem todas gêmeas, com as mesmas roupas, estilo, e até mesmo em alguns casos, no modo de falar (convivência traz isso, mas será que todas convivem juntas ?) … o garoto dos anos 60 procurava ser Elvis, o dos 70 um Hippie, libertário, dos 80, ser rebelde, dos 90 ser cool e por aí vai …

Daí me vem na cabeça as redes sociais; lá parece que temos receio de admitir que sofremos, que não acordamos bem, que vamos ao banheiro, que tivemos um dia péssimo, sem realizarmos que nosso subconsciente sofrerá com isso em um futuro próximo. Será que estamos todos iguais demais, escondendo nossas ideias e fraquezas ? A mente não pode ser enganada, quem mente tenta desviar, assim como quem bebe, pra pular etapas, desconfianças, esconder frustrações e sentir-se no “status quo”, sob-controle. A sociedade talvez esteja carente de originalidade.

Será que vivemos uma crise de EGO ? Talvez tenha a ver com insegurança, medo. Estamos pegando aversão uns aos outros. Conta-se nos dedos quem hoje consegue parar para ler um livro, trocar uma ideia sem interrupções e sentir-se bem no fim do dia. A troca de informações parece estar lenta, por incrível que essa geração tecnológica possa crer.

O autor americano Mark Manson, disse em um recente artigo:

Existe uma quantidade maior de informação rolando por aí, maior que a quantidade de informação que nós podemos assimilar. Pra que a minha informação seja percebida pelo meu público alvo, eu tenho que dar um jeito de chamar a atenção. É aí que as pessoas/organizações metidas ao exibicionismo se dão bem: ganha aquele que chamar mais atenção, não importando se o conteúdo é bom ou ruim, se faz sentido ou é nonsense.

Vemos como reflexo deste fenômeno, a mídia, como sites respeitados, tornando rotineira a apelação para os chamados “títulos caça-cliques” com o intuito de chamar a atenção cada vez mais disputada em troca de um retorno desconhecido. Falando sobre celebridades, ou algo do tipo … usando o exemplo do artigo, a Srta. Kim Kardashian: nasceu rica, (não há problema nisso) ficou famosa depois de trepar com alguns rappers, não tem talento artístico nenhum, muito menos talento intelectual (como alguns fãs da mesma dizem ao assistirem um reality show sobre a vida de sua família), e mesmo assim, está na mídia quase todos os dias porque fez ou falou alguma merda e conseguiu chamar a atenção do público (geralmente tirando fotos da bunda ou dos peitos, estratégia clássica, muito repetida por garotas e garotos nas redes sociais, em uma busca insaciável por atenção, os famosos attwhore).

Esse tipo de “economia” descrito pelo artigo acaba encaminhando boa parte das pessoas comuns ao desespero por atenção – o que eu penso, pode ter ajudado a fomentar a inveja e outros sentimentos ruins nas pessoas. Daí que, se a gente não filtrar o conteúdo bom do conteúdo “desesperado” (por exemplo, no feed de notícias do facebook), a gente acaba tendo a impressão de que tá todo mundo agindo igual retardado, quando na verdade é só uma parcela de exibicionistas profissionais/patológicos, porém, que cada vez mais influenciam uma sociedade carente.

Sobre a perda de privacidade, veja essa entrevista que o Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo deu, em 1958:

Ele previu com bastante precisão o que estamos vivendo hoje.

A sociedade (e eu incluso) se entrega á tecnologia e a ciência com afinco confundindo-as com o verdadeiro saber. A consequência está acima;  se uma geração não tem a sabedoria como bem maior jamais achará o norte, e daí surgirá toda a confusão. O homem fútil se baliza pelo homem médio, o homem médio, por sua vez, tem como referência o homem sábio. Porém, se o sábio já não é mais referência, de duas uma, ou o homem médio toma como modelo outro médio e cai numa mediocridade maior que a própria, ou toma como modelo o homem fútil, aquele que tem a ordem dos bens quase que totalmente desordenada, e entra em estado de barbárie contra si e toda a sociedade. Seja qual for a opção escolhida o resultado será o que estamos vendo hoje.

Paremos de nos esconder, para não virarmos homens fúteis.

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O País do Jeitinho vale a pena?

O País do Jeitinho vale a pena?

Me revolto com a história de querer levar vantagem em tudo. O tal do “jeitinho brasileiro”, a “Lei de Gérson” ou de qualquer outra coisa que o valha são nefastas e deviam ser desincentivadas.

Gostei desse pensamento que compartilho:

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O riso e o escárnio de Jair


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Por Leticia Perez

“O homem é grotesco, a condição humana é grotesca”
Georges Minois

Jair é um sujeito que gosta de fazer do riso, da ironia e do escárnio ferramentas do seu plano macarrônico de poder.

No medievo o riso aparecia como um aparelho de supressão do outro, para que os sujeitos através da ironia pudessem consolidar preconceitos e construir uma sociabilidade por exclusão.

A ironia dos bufões fazia com que se instaurassem tragédias. Não havia comédia, apenas a violência e o escárnio.

Há o riso da alegria, do prazer e da liberdade. Mas, o riso de Jair é grotesco como o de Roma no século I. Não é uma mera brincadeira, ele tem o propósito de gerar mal estar, inquietação e até medo. Maria do Rosário sabe disso. Ela acerta quando afirma que as falas e atitudes de Jair são técnicas de submissão do outro, usadas na ditadura.

O…

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