A cronologia tática da Juventus, finalista da Champions League 2015

A cronologia tática da Juventus, finalista da Champions League 2015

Mudando o comandante, mas mantendo a base que ganhou o tri campeonato italiano, a Juve não caiu em grupo muito difícil na UEFA Champions League 2014/15. Os duelos contra Malmo (SUE), Olympiacos (GRE) e Atlético de Madri (ESP), davam boas perspectivas ao elenco de Massimiliano Allegri. O último comandante a bater a Juve na disputa pelo título italiano, em 2010/11 com o Milan.
Nas últimas três temporadas, Antônio Conte, que assumiria a seleção Italiana deixada por Prandelli após a Copa, havia conseguido como melhor resultado uma classificação as quartas com a Juve. Na temporada 2012/13 caiu para o campeão Bayern antes da semifinal, na temporada seguinte ficou na primeira fase, atrás de Real Madrid (campeão) e Galatasaray.
A chegada de Allegri não foi vista com bons olhos pela torcida bianconeri. E o começo também não foi fantástico. Na Champions, a estreia contra o Malmo não encheu os olhos, apesar da vitória. Mantendo a estrutura de Conte, com três zagueiros, a Juve perderia para Atlético e Olympiacos, ficando em uma condição complicada no grupo.
Disposição de Juve (3-5-2) e Malmo | Reprodução: UEFA.com
Na visita dos gregos a Itália, a Juventus precisava desesperadamente da vitória. Foi ai que Allegri começou a mostrar suas ideias. Sacando o 3-5-2 e armando o time em um 4-3-1-2. Cáceres, que vinha jogando na zaga, perderia a vaga para Marchisio, que integraria um losango com Pirlo, Vidal e Pogba. Atrás de Tevez e Morata. Coincidência ou não, a Juve venceu o Olympiacos, virando o jogo em dois minutos.
A volta contra o Malmo marcou a terceira vitória da Juve na Champions, que combinada com o triunfo do Atlético sobre o Olympiacos, deixou os italianos a um empate da vaga nas oitavas. Empate que veio no duelo contra o Atlético de Simeone, deixando a Juve em 2º lugar no grupo e a colocando de frente com o Borussia nas oitavas de final.

Juve no 4-3-1-2 contra o Olympiacos | Reprodução; UEFA.com
O duelo de ida contra os alemães marcou a lesão de Pirlo, que o tiraria da volta, mas também a imposição dos italianos em casa, que com gols de Tevez e Morata a dupla do 4-3-1-2, venceram o Dortmund por 2 a 1. O gol de Reus na Itália deu alento ao time de Kloop, destruído por mais dois gols de Tevez e um de Morata. Placar elástico e solidificado pelos três zagueiros, que voltaram no fim para dar consistência contra a pressão.
Foi apostando na solidez defensiva, que o Mônaco foi a Itália buscar um bom resultado para definir em casa – até então, os franceses haviam sofrido quatro gols em oito jogos. Não fosse o duvidoso pênalti marcado em Morata e convertido por Vidal, o time do principado iria com um 0 a 0 para casa.

Flagrante do losango da Juve, marca de Allegri | Montagem: Taticamente | Reprodução: BeIN Sports.
Sem Pogba, lesionado, Allegri voltou ao esquema com três zagueiros, segurando a pressão do Mônaco, que das 15 finalizações acertou apenas uma. Com o zero a zero, e a vitória no agregado, a Juve voltava a uma semifinal de Champions após 16 anos. A última vez havia sido na temporada 1998/99, quando caiu para o campeão United.
Nas semifinais, encontro com o Madrid de Ancelotti, Cristiano e Bale. Mesmo que Madrid, que a Juve havia eliminado no último encontro dos dois nas semifinais. Em 2002/03, coincidentemente, na última vez que a Juve foi a uma final de Champions.
Juve de volta ao esquema com três zagueiros, contra o Mônaco | Montagem: Taticamente | Reprodução: BeIN Sports
Sem Pogba, Allegri não recorreu aos três zagueiros, pois precisava vencer. Espalhou seu 4-3-1-2 no 4-4-2 do Real, com Sturaro no time titular. O gol de Morata mostrou os erros defensivos do Madrid, que conseguiu o empate com o letal Cristiano. Até que Tevez tirou a igualdade do placar em cobrança pênalti. Na volta, com Pogba, o mesmo 4-4-2. Imposição física e tática para correr atrás do empate após novo gol de Cristiano em pênalti discutível. Ele (o empate) veio com Morata.
A Juve calava o Bernabéu para chegar a sua 8ª final. Nas últimas sete, dois títulos: 1984/85 sobre o Liverpool e 95/96 sobre o Ajax, nas penalidades. Nas outras cinco finais, a Juve não obteve sucesso. Permitindo o tri ao Ajax em 1972/73; o título ao Hamburgo em 1982/83; as duas derrotas seguidas, em 1997 e 1998, para Dortmund e Real Madrid também entram no hall, junto ao triunfo do Milan, em 2003, na Inglaterra, com brilho de Dida nos pênaltis.
3ª mudança tática da Juve na Champions: 4-4-2 contra o Real Madrid.
Com sete vitórias, três empates e duas derrotas, a Juve chega a Berlim após marcar 16 gols e sofrer apenas sete. Tendo em Tevez, seu artilheiro com 7 gols em 12 jogos, a maior esperança do tri campeonato europeu.

Post original do Falando Taticamente.

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A qualidade dos jogadores formados é o reflexo da qualidade dos formadores

A qualidade dos jogadores formados é o reflexo da qualidade dos formadores

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De um artigo antigo, mas bastante recente de Breitner sobre as mudanças do futebol alemão, e uma caixa de comentário onde “o treinador português” não aceita a crítica que lhe é dirigida. Carregue no link, veja a exposição de Breitner, leia a caixa de comentários, e este último depoimento do Pedro Cardoso. Não é nada que não soubéssemos já, porque aqui não se acredita que tão profundas mudanças no perfil dos jogadores formados, na qualidade dos mesmos, não estejam diretamente ligadas à qualidade de quem tem a responsabilidade de formar.
“Aqui existe um trabalho de formação a nível nacional, ou seja, começa-se por formar os treinadores em sintonia com as diretrizes fornecidas pela Federação Alemã de Futebol às Associações de Futebol dos vários estados. Começa-se por ter essa formação no âmbito estadual e a partir de certo nível passa-se para a formação a nível nacional. Aqui reside logo uma diferença estrutural em relação a Portugal, uma vez que existem muito mais níveis e o acesso a esses níveis só é concedido com mérito! O número de treinadores habilitados para Treinar nas Ligas profissionais é cerca de 2% de todos os treinadores do país. E não há cá a possibilidade de saltar níveis por experiência etc. à excepção de jogadores que jogaram pelo menos 5 anos na Bundesliga ou tiveram alguma internacionalização pela seleção Alemã. Mas ainda assim, estes, podem ir diretamente para os cursos Federativos, mas com 3 níveis de formação para ultrapassar caso, queiram treinar as ligas profissionais e de referir que esses cursos são avaliados a sério (segundo dizem) e acredito. Depois, os treinadores que trabalham nos escalões de formação são observados por treinadores/formadores das Associações ao longo da sua atividade e uma vez que têm de renovar a sua licença de 3 em 3 anos, essas avaliações feitas têm influência também na renovação de licenças.
As diretrizes da Federação que de certa forma apontam o caminho que eles consideram ser o ideal, são claras, ao nível dos escalões de formação, o treinador não tem de as seguir, mas também dificilmente terá a licença para exercer e dificilmente encontrará trabalho em clubes mais prestigiados. O facto de haver tanta formação de treinadores, provoca também um aumento da qualidade de todos os agentes desportivos. Inclusivamente de pais.  
O curso é tão barato e com condições tão boas (estadia, alimentação etc…) que até pais vão tirar o curso de nível mais baixo só para poderem acompanhar melhor os filhos. Agora pensem, como todos estes factores conjugados podem influenciar a qualidade do treino e consequentemente do jogador. Depois em termos de incentivos financeiros, claro que a Alemanha é economicamente muito mais forte que Portugal e daí ser possível realizar este investimento. O que permite também, e para mim, esta é a principal condição que inibibe o desenvolvimento do jogador portugues, que o treinaor viva do futebol, nos escalões de formação, sem ser num grande clube da Bundesliga e por não ter de se afirmar taticamente nos escalões de formação para poder subir na carreira e ser treinador profissional.”

Sobre a brilhante mudança de pensamento dos atuais Campeões do Mundo, fica mais uma história. À porta de um Euro de sub19, Meyer e Werner (Schalke e Estugarda) que foram utilizados durante a fase de qualificação foram deixados de fora de Euro. Para quem conhece a qualidade dos jogadores referidos pode parecer estranho, porque eram claramente as estrelas da companhia. Acontece que os dois, nos respectivos clubes, tinham conquistado espaço na equipa sénior e por isso, a decisão de os levar ao Europeu tinha como consequência directa o perder da pré-temporada nos seus clubes. Para que não perdessem espaço nas escolha dos seus treinadores, e conseguissem competir de igual com o restante plantel, a decisão foi óbvia. Nunca nenhuma Federação do Mundo sonhou sequer tomar tal decisão, nem mesmo a espanhola. Mas formação é mesmo isto. Tomar todas e mais algumas medidas que vão ajudar o jogador no futuro. Formar não é ganhar agora, é ganhar no futuro. E na Alemanha pensa-se como em nenhum lado do planeta nisto. Olha-se para Portugal, e quem viu a final do Torneio da Pontinha, percebe que aqui nos encontramos numa espécie de planeta dos macacos, tal é o atraso ao nível da mentalidade.
Artigo escrito pelo R. Baggio do excelente Blog sobre Futebol e Tática – PosseDeBolla 

O problema do futebol nacional começa pelos nossos jogadores?

O problema do futebol nacional começa pelos nossos jogadores?

O atraso tático começa pelos nossos jogadores

Essa poderia ser uma manchete de um periódico esportivo ao falar sobre o possível atraso tático, ideológico, do futebol brasileiro, tão debatido de alguns anos para cá, especialmente depois da Copa do Mundo e do episódio “7×1”.

No Globo Esporte (01/03) uma matéria interessante mostra Julio Sérgio (ex-goleiro brasileiro), os treinadores Vágner Mancini (ex-Botafogo) e Dorival Junior (ex-Palmeiras), fazendo uma excursão pela Europa, para uma possível reciclagem e atualização sobre o futebol atual, etc.

Passaram por Lazio, Roma, e Bayern Munich do consagrado Pep Guardiola, destaque da reportagem; o que chama atenção é a declaração do trio depois da visita, onde assistiram a palestras de profissionais europeus e ao observarem/estudarem os treinos e jogos de Roma e Lazio, todos “in-loco” disseram algo interessante:

  • Vimos que é uma escola bem diferente, com muito poder de marcação. Também chamou a atenção a intensidade dos atletas empregada nos treinamentos. Numa opinião geral, nossos treinamentos não estão distantes do que é feito na Europa. O que acho muito importante é a dedicação tática e a entrega dos atletas que seguem à risca aquilo que é planejado – completou Mancini.

Essa parte destacada em negrito demonstra um dos principais problemas em relação ao “passo atrás” possivelmente dado pelo nosso futebol, culpa dos jogadores que culturalmente são individualistas, primam pelo gol, drible, finta, e não ao passe para gol, coletividade, ou seja, a essência do jogo (futebol).

Infelizmente é impossível aplicar o que é treinado na Europa aqui. Ali se preza muito pela posse de bola e toques curtos, sem o individualismo (citado acima) que é praticado aqui. É uma coisa cultural, os jogadores começam a driblar desde pequenos, sem olhar para o lado e pensar o jogo taticamente.

Ainda há que se reportar que não adianta visitar o mundo inteiro se na hora da aplicação do que se viu não se encontra um respaldo na estrutura do nosso futebol. Ou, se mesmo visitando não há competência pessoal para desenvolver o aprendizado.

Julio Sergio, Dorival e Mancini posam com Guardiola no Bayern de Munique (Foto: Divulgação)
Julio Sergio, Dorival e Mancini posam com Guardiola no Bayern de Munique (Foto: Divulgação)

Marcelo Bielsa e o Marseille

Marcelo Bielsa e o Marseille

Bielsa

Melhor do que ninguém, os jogadores sabem quem são os melhores treinadores. Sabem avaliar melhor que todos o seu trabalho, e em última análise a permanência ou rescisão do contrato de um treinador deverá estar dependente de uma consulta aos jogadores.
Como reconheço inteligência no antigo capitão do FC Porto, para além da classe com que jogava, confio que a sua opinião seja bastante relevante. Lucho sabe, de certeza, o que diz.

Como temos vindo a dizer, que grande treinador é Bielsa. Pena ainda não ter tido a possibilidade de treinar uma equipa de grande poderio financeiro. Aquilo que fez com o pequenino Athletic, não será nunca por nós esquecido.

“É o melhor treinador com quem trabalhei. É um fenómeno. Com ele a paixão está sempre presente, mas trabalha-se a sério. Prepara os treinos ao pormenor. É um cavalheiro” Aqui.

O treinador argentino agora  pretende revolucionar o futebol francês segundo palavras do próprio presidente do Olympique de Marseille, Vincent Labrune. “Sempre fui fã do futebol argentino e principalmente do Bielsa que já recusou trabalhos em clubes maiores por sua ideologia pessoal que ia contra ao destes. Ele é mais que um treinador, é um mestre, pode revolucionar o futebol francês”. 

Marseille tem uma metodologia parecida com o que gosta Marcelo Bielsa; apostar em jovens talentos pro futuro, porém, com boa qualidade técnica independente da posição. Alguns nomes foram trazidos: Florian Thauvin, Mario Lamina e Gianelli Imbula. Bielsa disse estar ansioso pra trabalhar com estes possíveis “miúdos-maravilhas” ou “futuros craques”. 

Seu estilo de jogo é o famoso “posse total”, “futebol total”, “controle do jogo” ou o atual “tiki taka” porém com mais objetividade, diferente do que fez seu fã confesso, Guardiola, no Barcelona.

Sua rígida disciplina costuma instigar até os melhores jogadores do mundo nos quais trabalhou na Argentina e Chile.

estreia de bielsa-marseille vs leverkusen
Goleada na estreia diante do bom Bayer Leverkusen (Foto: Divulgação/OM)

A sua estreia oficial pelo clube francês foi na última semana numa bela atuação da sua equipe diante do Bayer Leverkusen (4-1) que teve problemas com sua saída de bola por conta da pressão que os homens de Bielsa fizeram, aliás essa uma característica de seus times.

O primeiro treino do argentino já demonstrou o que podemos ver nesta temporada do Marseille. Muita disposição e cobrança por um jogo dominante para tentar incomodar PSG e Mônaco e cavar uma vaga na Europa League ou pro mais otimista uma Champions.