Site Justificando: “Crianças iam para a cadeia no Brasil até a década de 1920”

Site Justificando: “Crianças iam para a cadeia no Brasil até a década de 1920”

Sociologia, reflexão e ação

O site Justificando* publicou em 7 de julho de 2015 uma matéria que delineia toda a história do tratamento legal dado às crianças e adolescentes infratores desde o início do século XX. Leiam e assistam ao vídeo: “Crianças iam para a cadeia no Brasil até a década de 1920”.

Crianças iam para a cadeia até a década de 1920. Foto do site Justificando. Crianças iam para a cadeia até a década de 1920. Foto do site Justificando.

*Sobre o site Justificando

“O Justificando surgiu primordialmente da necessidade de se fomentar o debate jurídico acessível a todos. O portal, além de abordar toda temática circundante ao universo dos operadores do direito, se preocupa fundamentalmente em falar sobre assuntos relacionados ao poder, justiça e direitos humanos. Procuramos atender as demandas de informação nos quatro cantos do país e ainda demonstrar as tendências no Brasil e no mundo.

Buscamos manter aceso no cotidiano das publicações o espírito comprometido com o direito, principalmente no que tange…

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Para refletir: a educação no Brasil

Para refletir: a educação no Brasil

O documentário é de 2006, nós estamos em 2015. A pergunta que fica é: O que mudou?

Há pouco menos de um ano, o Jornal Nacional abordou a temática. Um dos entrevistados fez uma observação super pertinente: “O Brasil tem escolas do século 19, professores do século 20 e alunos do século 21”. Como conciliar essa realidade de diferentes cenários ?

Complemento – “Como as Escolas transformam crianças em adultos medíocres” 

Como as escolas transformam crianças em adultos medíocres

Como as escolas transformam crianças em adultos medíocres

Uma reflexão acerca do sistema educacional que desperdiça talentos e faz do estudo um desprazer.

O mundo muda cada vez mais rapidamente. Para transpor os novos desafios, precisa-se, mais do que nunca, de pessoas que pensem criticamente e ajam proativamente. Pessoas capazes de olhar para os problemas e conceber soluções. Capazes de analisar, inovar, criar e reinventar.

Contraditoriamente, não é esse tipo de pessoas que estamos formando.

Logo nos primeiros anos de vida, inserimos as crianças em um sistema educacional que as converte em adultos consumidores, e não criadores de conhecimento. Adultos que deixam de explorar seus talentos para se enquadrar em padrões medianos. Adultos que tiveram sua criatividade tolhida e seu pensamento crítico inibido. Adultos que não buscam ideias e conhecimentos por conta própria.

Eis algumas razões pelas quais o modelo educacional vigente é obsoleto e as sequelas deixadas em cada um que passa por ele.

Ambiente escolar totalmente desfavorável

As escolas são indústrias. Essa metáfora de Ken Robinson, um dos grandes especialistas em educação da atualidade, talvez seja a que melhor descreve o funcionamento da esmagadora maioria das escolas ao redor do mundo.

Assim como em uma indústria, as escolas agrupam os seus alunos em lotes: as chamadas turmas. Em uma sala de aula, cada lote passa por uma rotina repetitiva, na qual profissionais especializados — os professores — desempenham seus papeis de maneira departamentalizada, ensinando conteúdos isoladamente, mesmo que na verdade todo o conhecimento esteja entrelaçado, e não segmentado em pacotes de disciplinas. Sirenes tocam indicando que é hora da aula atual ser interrompida para dar lugar à próxima. Quando os alunos já passaram por vários anos de repetições diárias desse ciclo, recebem o rótulo de “formados”, o que significa que o lote está pronto para ir para o mercado.

Infelizmente, não para por aí. Além de fábricas, as escolas também possuem características de presídios. Elas cerceiam a liberdade dos alunos. Todos têm hora para entrar, hora para ir para o pátio e hora para sair. Há inspetores vigiando os estudantes e punições — advertências, suspensões, expulsões — para os que tiverem mau comportamento.

Esse conjunto de medidas faz com que as escolas suprimam o desejo de aprender, ao invés de despertar a curiosidade e estimular a inteligência. Tomando emprestada a metáfora do fascinante educador Rubem Alves, pode-se concluir que as escolas, em sua maioria, são gaiolas, quando na verdade deveriam ser asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

– Rubem Alves

Escola de cinco décadas atrás e escola de hoje: pouca coisa mudou.

O modus operandi que norteia o funcionamento de praticamente todas as escolas é o mesmo há muitas décadas. As poucas mudanças que aconteceram não foram de caráter educacional, e sim cultural, como o surgimento das escolas mistas e o fim dos internatos. Fora isso, as escolas em que você estudou seguem os mesmos paradigmas das escolas em que seus avós estudaram. Salas de aula, lousas, cadernos e a velha relação dual: “o professor ensina e o aluno aprende”.

Foco na memória, e não na habilidade de pensar

Ao invés de ensinar os alunos a pensar, as escolas os obrigam a digerir grandes quantidades de informações. Em aulas puramente expositivas, transmite-se o o conteúdo, que, posteriormente, é cobrado em uma prova— a maneira que as escolas encontraram para mensurar o aprendizado. Isso é bastante curioso, porque as provas, em geral, exigem que os alunos apenas reproduzam o que lhes foi “ensinado”, e não que desenvolvam seu raciocínio, senso crítico e a habilidade de relacionar fatos para tirar conclusões. Basicamente, na escola, os alunos são treinados para memorizar informações e despejá-las em avaliações escritas.

Inibição da criatividade

As escolas instituem desde o começo que serão feitas perguntas, e que cada pergunta admite apenas uma resposta correta. Se o aluno não responde exatamente o que lhe foi ensinado, ele errou. E é bom que não erre muitas vezes. Caso contrário, ele não passará de ano. O aluno aprende que ele não tem liberdade para pensar fora da caixa.

Conteúdos nem sempre relevantes

O cenário em uma sala de aula é, quase sempre, o mesmo: alunos sentados durante várias horas anotando o que o professor ensina. Não importa se o assunto lhes interessa ou se terá utilidade no futuro. Na verdade, as escolas desperdiçam boa parte do tempo e da energia dos alunos com assuntos desnecessários, quando poderiam estar desenvolvendo habilidades relevantes para a vida pessoal e profissional.

As escolas ensinam que a democracia surgiu na Grécia Antiga, mas não despertam nos alunos o pensamento crítico para avaliar o nosso cenário político e tomar melhores decisões. As escolas ensinam equações de segundo grau e logaritmos, mas não instruem sobre noções básicas de economia ou finanças pessoais. As escola ensinam o que são dígrafos e sujeitos desinenciais, mas não formam pessoas que saibam explorar os recursos da linguagem na hora de se comunicar com clareza.

Padronização do ensino

O ensino é o mesmo para todos. Um aluno que se interessa mais por uma determinada área não tem, dentro da maioria das escolas, a oportunidade de se aprofundar nela. Alunos com capacidades e interesses distintos são agrupados simplesmente por terem idades iguais, freando o desenvolvimento dos que têm mais facilidade e ignorando as necessidades especiais dos que possuem dificuldades. Além disso, as escolas conduzem o ensino sempre da mesma maneira, ignorando o fato de que cada aluno se adapta melhor a um tipo de aprendizado: visual, auditivo, cinestésico, entre outros.


Ao passar por todas as falhas desse modelo educacional, as crianças não ficam ilesas de suas consequências: redução da capacidade criativa, desprezo pelo ato de estudar, pouca habilidade para pensar por si próprias, estresse e acúmulo de muitas informações dispensáveis.

O mundo mudou, mas as escolas continuam presas a décadas atrás. Ao invés de doutrinar os alunos para se tornarem cidadãos obedientes e passivos, elas precisam estimulá-los a pensar de maneira inovadora e lidar com problemas reais — que são muito diferentes de um enunciado aguardando uma resposta decorada. Quando isso acontecer, chegaremos ao cerne da resolução de boa parte dos problemas contemporâneos.

E, quiçá, de uma verdadeira revolução.

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
— Nelson Mandela

Prestigie a nota original, publicada no Medium.

BBC – Exame internacional desfaz 7 mitos sobre eficiência da educação


Andreas Schieicher, responsável pelo exame do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em iglês), avalia os resultados para a BBC e tenta desconstuir algumas crenças sobre a educação. O exemplo bem-sucedido da Coreia mostra, por exemplo, que não é preciso necessariamente um alto gasto com educação em comparação com o PIB, tampouco o tamanho das classes têm um efeito decisivo na qualidade do ensino.

Sistema educacional americano tem altos custos mas com resultados mistos
                     

A cada três anos, estudantes de vários países fazem o exame internacional Pisa (sigla inglesa para Programa Internacional de Avaliação de Alunos), cujo objetivo é avaliar sistemas educacionais no mundo por meio de uma série de testes em assuntos como leitura, matemática e ciências.

Cerca de 510 mil estudantes de 65 países participaram da rodada mais recente de testes, realizada em 2012. Os resultados foram divulgados em dezembro de 2013.

O Brasil ocupa a posição 55 no ranking de leitura, 58 no de matemática e 59 no de ciências. Xangai (China) está no topo da lista nas três matérias, Cingapura e Hong Kong se revezam na segunda e terceira posições.

No artigo a seguir, o responsável pelo exame, Andreas Schleicher, usa dados revelados pelo Pisa para destruir alguns dos grandes mitos sobre o que seria um bom sistema de educação.

1. Alunos pobres estão destinados a fracassar na escola

Em salas de aula de todo o mundo, professores lutam para impedir que alunos mais pobres fiquem em desvantagem também no aprendizado.

No entanto, resultados do Pisa mostram que 10% dos estudantes de 15 anos de idade mais pobres em Xangai, na China, sabem mais matemática do que 10% dos estudantes mais privilegiados dos Estados Unidos e de vários países europeus.

Leia mais: Os segredos para aprender um novo idioma (rapidamente)

Crianças de níveis sociais similares podem ter desempenhos muito diferentes, dependendo da escola que frequentam ou do país onde vivem. Sistemas de educação em que estudantes mais pobres são bem sucedidos tem capacidade para moderar a desigualdade social. Eles tendem a atrair os professores mais talentosos para as salas de aula mais difíceis e os diretores mais capazes para as escolas mais pobres, desafiando os estudantes com padrões altos e um ensino excelente.

Alguns americanos criticam comparações educacionais internacionais, argumentando que elas têm um valor limitado porque os Estados Unidos têm divisões sócioeconômicas muito particulares.

Estudantes em escolas mais simples em Xangai costumam se sair melhores que estudantes ricos dos Estados Unidos

Mas os Estados Unidos são mais ricos do que a maioria dos outros países e gastam mais dinheiro com educação do que a maioria. Pais e mães americanos têm melhor nível educacional do que a maioria dos pais e mães em outros países e a proporção de estudantes de nível sócioeconômico baixo nos EUA está perto da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE).

O que as comparações revelam é que as desvantagens sócioeconômicas têm impacto particularmente forte sobre o desempenho de estudantes nos Estados Unidos.

Em outras palavras, nos Estados Unidos, dois alunos de níveis sócioeconômicos diferentes variam muito mais em seu aprendizado do que se observa em outros países que integram a OCDE.

2. Países onde há muitos imigrantes têm pior desempenho

Integrar estudantes imigrantes, ou descendentes de imigrantes, pode ser um desafio.

No entanto, resultados dos exames Pisa mostram que não há relação entre a porcentagem de estudantes imigrantes – ou descendentes de imigrantes – em um dado país e o desempenho dos estudantes daquele país nos exames.

Leia mais: Matemática – conhecimento é adequado no 9º ano ‘só em 10% dos municípios’

Estudantes com históricos de imigração e níveis sociais similares apresentam desempenhos variados em países diferentes, o que sugere que as escolas onde os alunos estudam fazem muito mais diferença do que os lugares de onde os alunos vêm.

3. É tudo uma questão de dinheiro

A Coreia do Sul – país com melhor desempenho (em termos individuais) em matemática na OCDE – gasta, por estudante, bem menos do que a média. O mundo não está mais dividido entre países ricos e bem educados e países pobres e mal educados. O sucesso em sistemas educacionais não depende mais de quanto dinheiro é gasto e, sim, de como o dinheiro é gasto.

Estudantes eslovacos apresentam uma média de desempenho similar à de um estudante americano, apesar de os EUA gastarem mais que o dobro por estudante

Se quiserem competir em uma economia global cada vez mais focada no conhecimento, os países precisam investir em melhorias na educação. Porém, entre os integrantes da OCDE, gastos com educação por estudante explicam menos de 20% da variação no desempenho dos alunos.

Por exemplo, aos 15 anos de idade, estudantes eslovacos apresentam uma média de desempenho similar à de um estudante americano da mesma idade. No entanto, a Eslováquia gasta cerca de US$ 53.000 para educar cada estudante dos 6 aos 15 anos de idade, enquanto os Estados Unidos gastam mais de US$ 115.000 por estudante.

4. Salas de aula menores elevam o nível

Por toda parte, professores, pais e autoridades responsáveis por políticas educacionais apontam salas de aula pequenas, com poucos alunos, como essenciais para uma educação melhor e mais personalizada.

Reduções no tamanho da classe foram a principal razão para os aumentos significativos nos gastos por estudante verificados na maioria dos países ao longo da última década.

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Apesar disso, os resultados do Pisa mostram que não há relação entre o tamanho da classe e o aprendizado, seja internamente, em cada país, ou se compararmos os vários países.

Andreas Schleicher é responsável pelo Pisa (sigla inglesa para Programa Internacional de Avaliação de Alunos)

E o que é mais interessante: os sistemas educacionais com melhor desempenho no Pisa tendem a dar mais prioridade à qualidade dos professores do que ao tamanho da classe. Sempre que têm de escolher entre uma sala menor e um professor melhor, escolhem a segunda opção.

Por exemplo, em vez de gastarem dinheiro com classes pequenas, eles investem em salários mais competitivos para os professores, desenvolvimento profissional constante e cargas horárias equilibradas.

5. Sistemas únicos de educação são mais justos, sistemas seletivos oferecem resultados melhores

Parece haver um consenso, entre educadores, de que sistemas educacionais não seletivos, que oferecem um mesmo programa de ensino para todos os estudantes, são a opção mais justa e igualitária. E que sistemas onde alunos aparentemente mais inteligentes são selecionados para frequentar escolas com programas diferenciados oferecem melhor qualidade e excelência de resultados.

No entanto, comparações internacionais mostram que não há incompatibilidade entre qualidade do aprendizado e igualdade. Os sistemas educacionais que apresentam melhores resultados combinam os dois modelos.

Nenhum dos países com alto índice de estratificação está no grupo de sistemas educacionais com os melhores resultados – ou entre os sistemas com a maior proporção de estudantes com o melhor desempenho.

6. O mundo digital requer novas matérias e um currículo novo

Globalização e mudanças tecnológicas estão tendo um grande impacto sobre os conteúdos que estudantes precisam aprender.

Num mundo onde somos capazes de acessar tantos conteúdos no Google, onde habilidades rotineiras estão sendo digitalizadas ou terceirizadas e onde atividades profissionais mudam constantemente, o foco deve estar em permitir que as pessoas tornem-se aprendizes para a vida toda, para que possam lidar com formas complexas de pensar e trabalhar.

Resumindo, o mundo moderno não nos recompensa mais apenas pelo que sabemos, mas pelo que podemos fazer com o que sabemos.

Como resposta, muitos países estão expandindo currículos escolares para incluir novas matérias. A tendência mais recente, reforçada pela crise financeira, foi ensinar finanças aos estudantes.

Porém, os resultados do Pisa mostram que não há relação entre o grau de educação financeira e a competência dos estudantes no assunto. Na verdade, alguns dos sistemas de educação em que os estudantes tiveram o melhor desempenho nas provas do Pisa que avaliaram competência em finanças não ensinam finanças – mas investem pesado no desenvolvimento de habilidades matemáticas profundas.

De maneira geral, nos sistemas educacionais de melhor desempenho, o currículo não é amplo e raso. Ele tende a ser rigoroso, com poucas matérias que são bem ensinadas e com grande profundidade.

7. O segredo do sucesso é o talento inato

Livros de psicólogos especializados em educação tendem a reforçar a crença de que o desempenho de um aluno brilhante resulta de inteligência inata, e não do trabalho duro. Os resultados do Pisa questionam também este mito.

Escola em Sichuan, na China, mostra que não há inconpatibilidade entre resultados bons e acesso justo

Às vezes, professores se sentem culpados por pressionar estudantes tidos como menos capazes, acham injusto fazer isso com o aluno. O mais provável é que tentem fazer com que cada estudante atinja a média de desempenho dos alunos em sua classe. Na Finlândia, em Cingapura ou Xangai, por outro lado, o objetivo do professor é que alunos alcancem padrões altos em termos universais.

Uma comparação entre as notas escolares e o desempenho de estudantes no Pisa também indica que, frequentemente, professores esperam menos de alunos de nível sócioeconômico mais baixo. E pode ser que os próprios alunos e seus pais também esperem menos.

A não ser que aceitem que todas as crianças podem alcançar os níveis mais altos de desempenho, é pouco provável que os sistemas educacionais (com resultados piores) possam se equiparar aos dos países com índices de aprendizado mais altos.

Na Finlândia, Japão, Cingapura, Xangai e Hong Kong, estudantes, pais, professores e o público em geral tendem a compartilhar a crença de que todos os estudantes são capazes de alcançar níveis altos.

Um dos padrões mais interessantes observados entre alguns dos países com melhor desempenho foi o abandono gradual de sistemas nos quais estudantes eram separados em diferentes tipos de escolas secundárias.

Esses países não fizeram essa transição calculando a média de desempenho (entre todos os grupos) e usando essa média como o novo padrão a ser almejado. Em vez disso, eles colocaram a nova meta lá em cima, exigindo que todos os estudantes alcançassem o nível que antes era esperado apenas dos estudantes de elite.

Você estuda para tirar nota ou para aprender ?


“Aula é para entender; a famosa lição de casa é para aprender”

estudar

99% das escolas brasileiras mantem posturas errôneas segundo o professor e palestrante Pierluigi Piazzi, professor de curso pré-vestibular há 40 anos, radicado no Brasil há pelo menos 50. Ele explica que os “verdadeiros crimes” estão em como o sistema de avaliação ainda vigente, instruiu e analisa os alunos. O pecado principal não está em “recompensar os bons resultados” e sim COMO esses resultados foram obtidos! O sistema de avaliação adotado pela maioria das escolas brasileiras (em todos os níveis, incluindo a pós-graduação) é que está equivocado.

A educação brasileira caminha com passos lentos na busca pela qualidade. Qual seria o motivo? Será que os alunos não são bem preparados pelos seus professores ou não são inteligentes o suficiente para aprender as matérias ensinadas?

Professor Pier, como é chamado pelos seus alunos (já preparou mais de 100 mil estudantes para o exame vestibular), aliou sua experiência como mestre e os conhecimentos adquiridos ao lecionar Inteligência Artificial e Configuração de Redes Neurais em um curso de Engenharia da Computação, e conseguiu identificar os equívocos que tornam o Sistema Educacional Brasileiro, segundo ele próprio, um dos piores de todo o mundo.

Segundo ele esses são os três principais equívocos dos alunos na seguinte ordem:

  1. grave: não saber se comportar (conversar na aula, atrapalhar etc)
  2. muito grave: não ler livros como forma de lazer
  3. gravíssimo: estudar para a prova

Um detalhe importante: muitos brasileiros são “educados” e não “instruídos” a “aprender a ler” com livros que não necessariamente serão interessantes para tais. Um professor/diretor/reitor/coordenador não pode generalizar e obrigar os alunos a lerem algo que a princípio será “chato, desinteressante” até por que ele não criou o hábito da leitura.  Ex: se um garoto gosta de futebol, que leia o livro sobre o tema, seu time, futebol brasileiro etc, e não “Iracema”, “Dom Casmurro”, pois além de já estar “banalizado” pelo discurso de chatice ainda causará um “trauma” no aluno que criará a terrível e errônea ideia de que “ler é chato”. Após pegar “gosto pela leitura” através de temas de seu interesse, naturalmente os livros “clássicos” serão incluídos em seu gosto.

pier_workshopregionalCOMO SE ESTUDAR, APRENDER?

Sempre estudar de lápis na mão ESCREVENDO. Ler não é estudar, estudar é escrever! Quando o sistema educacional brasileiro ainda funcionava a contento (quando os ignorantes que têm ataques de pedagorréia ainda não estavam impondo suas técnicas idiotas) as crianças tinham duas atividades fantásticas: DITADO e CÓPIA! Como a enzima que produz formação de novos dendritos durante o estudo se esgota em aproximadamente 40 minutos de atividade cerebral intensa (ESCREVENDO), o ideal é nunca estudar mais que meia hora seguida. Nos meus livros proponho o ritmo de blocos de meia hora intercalados por 10 minutos de descanso. Agora, a quantidade de blocos depende do conteúdo das aulas que devem ser estudadas. Como o exagero é muito contraproducente, meu conselho é nunca passar de 5 ou 6 blocos de meia hora por dia.

Se você gostou de um filme, livro, gostou de um jogo de futebol por exemplo, faça uma resenha com suas ideias e impressões sobre tal. Converse depois com os amigos. Pesquisas indicam que seu cérebro se diferenciará dos outros intelectualmente caso você exercite sua mente com a escrita e a leitura. Filmes adaptados de livros são ótimos exemplos de como um “apaixonado pela leitura” a defenderá com unhas e dentes e reconhecerá que seu repertório é “melhor”. Quantas vezes já não se ouviu a frase “o livro é muito melhor que o filme”.

LEIA, ASSISTA, REFLITA E ESCREVA