A ‘Geração do Milênio’ admite que os smartphones estão minando sua felicidade — Mundo Nativo Digital


Sim, a Millennials (a Geração do Milênio) é viciada em usar smartphones, e ela não está feliz com isso. Nove em cada dez Millennials (pessoas com idade entre 18 a 24 anos) verificam seus telefones pelo menos uma vez por hora, se não “constantemente”, de acordo com os resultados de um relatório de tendências de […]

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Por que odiamos tanto no Brasil ?

Por que odiamos tanto no Brasil ?

Você já sentiu muito ódio ? Perguntar isso a um cidadão brasileiro pode parecer até ofensa, já que nos auto-intitulamos “alegres, receptivos” mas há uma estranha ironia na linha tênue entre o simpático brasileiro e a sua raiva.

Vamos ver neste artigo o por quê de sermos uma sociedade com propensão ao ódio.

Diferente do que Sérgio Buarque de Holanda dizia, o brasileiro talvez não seja cordial !? Segundo o historiador Leandro Karnal,  a ideia do brasileiro como um povo hospitaleiro, avesso aos rituais e, ao contrário dos europeus e norte-americanos, não se apega ao nome de família, se apresentando pelo primeiro nome com naturalidade.

Ele (Sérgio Buarque de Holanda) insiste cor, córdis, coração do latim

Significando que agimos pelo coração, passionalmente, inclusive ao odiarmos. Nosso ódio seria portanto, cordial. Karnal atribui essa visão ao paradigma de época, onde Sérgio Buarque via a ascensão do nazi-fascismo europeu e o Brasil parecia uma ilha de tranquilidade.

Porém, mesmo indicando uma interpretação equivocada do que significaria “cordial” na obra do historiador brasileiro citado, Karnal lembra episódios cruéis, como a morte de Zumbi do palmares, e outros inúmeros exemplos de horror que ele diz ser facilmente classificado como uma guerra civil no Brasil, com risco de “haitianismo”, e que por termos uma formação cristã, negamos. Sempre transferido para o outro a responsabilidade pelo inferno violento de ódio genuíno no qual nos encontramos (esse sentimento de culpar o alheio também vem na parte política, quando não assumimos sermos parte de uma sociedade, dita por nós, como hipócrita e corrupta)

Na repressão do século XVII ao quilombo dos palmares. Ao fato de que quando se mata Zumbi de forma tão infame. Ou seja, se mata inclusive costurando seu pênis dentro da boca. Manifestando um ódio violento profundo.

Em 30 anos, tivemos um crescimento de cerca de 502% na taxa de homicídios no Brasil. Só em 2012 os homicídios cresceram 8%. A maior parte dos comentários raivosos que se lê e se ouve prega que para resolver esse problema devemos empregar mais violência. Se você não concorda “deve adotar um bandido”. Não existe a possibilidade de ser contra o bandido e contra a violência ao mesmo tempo.

Ele desconstrói todas as formas de preconceitos e soluções fáceis. O preconceito contra o sertão, nordestinos, cariocas, cidade grande etc. Critica o politicamente correto, mas defende que as piadas sejam sobre os poderosos. Não inocenta nem mesmo as crianças. Critica a classe política. A violência do trânsito. A ideia de que a violência é culpa da mídia. Ou da educação dos pais. Critica o casamento, democracia, o machismo, as religiões e uma afeição natural do homem pela violência.

Não é a toa que em sala de aula faz tanto sucesso dar uma aula sobre Hitler. E os alunos particamente ignoram quem foi Adenauer. O homem que salvou, democraticamente, a Alemanha no pós-guerra.

Esse exemplo sobre as aulas de Hitler são um soco no estômago humano, pois realmente eram interessantes, muito aguardadas, sem falar quando tínhamos aulas detalhadas sobre guerras/conflitos.

Também tratou da violência das lutas, e da estranhíssima relação que temos com elas como entretenimento. Nosso resistência ao bem, ao pacifismo é contrastada à admiração que depositamos por anos a notícias violentas. Dessa conclusão deixou de lado os japoneses. Atacou a Finlândia, Suécia, como exemplos de utopias sem violência, ao apontar suas mazelas, como o alto índice de suicídio infantil.

Karnal aponta como um dos grandes desafios da educação a libertação dos professores aos seus preconceitos.

Nós acreditamos que vivemos em uma sociedade pacífica cercados por pessoas violentas.

Um estudo diz que relações de amor e ódio no trabalho fazem bem, ou seja, um equilíbrio: http://gq.globo.com/Prazeres/Poder/noticia/2015/01/relacoes-de-amor-e-odio-no-trabalho-podem-te-fazer-bem-diz-estudo.html

Colaboração: http://blog.brasilacademico.com/2015/09/o-odio-no-brasil-leandro-karnal.html

Por que nos escondemos?

facebookyou

A impressão que a sociedade “online” passa é diferente da offline; cada vez mais presencio opiniões á respeito da falta de ideologia entre as pessoas, trocando sua própria identidade em troca do famoso status e fama imediata, sem esforço, sem um por quê. Estaríamos ficando iguais ? Observo um acontecimento frequente no ON e OFF: muitas pessoas do meu convívio ou não, compartilham do gosto pelos mesmos artistas, das mesmas baladas, dos mesmos barzinhos, dos mesmos esportes e do mesmo estilo; aí há algo normal, já que geralmente estamos próximos de quem é semelhante a ~nosotros~, mas, há algo diferente: experimente olhar para a fila de uma balada e note como principalmente as garotas parecem todas gêmeas, com as mesmas roupas, estilo, e até mesmo em alguns casos, no modo de falar (convivência traz isso, mas será que todas convivem juntas ?) … o garoto dos anos 60 procurava ser Elvis, o dos 70 um Hippie, libertário, dos 80, ser rebelde, dos 90 ser cool e por aí vai …

Daí me vem na cabeça as redes sociais; lá parece que temos receio de admitir que sofremos, que não acordamos bem, que vamos ao banheiro, que tivemos um dia péssimo, sem realizarmos que nosso subconsciente sofrerá com isso em um futuro próximo. Será que estamos todos iguais demais, escondendo nossas ideias e fraquezas ? A mente não pode ser enganada, quem mente tenta desviar, assim como quem bebe, pra pular etapas, desconfianças, esconder frustrações e sentir-se no “status quo”, sob-controle. A sociedade talvez esteja carente de originalidade.

Será que vivemos uma crise de EGO ? Talvez tenha a ver com insegurança, medo. Estamos pegando aversão uns aos outros. Conta-se nos dedos quem hoje consegue parar para ler um livro, trocar uma ideia sem interrupções e sentir-se bem no fim do dia. A troca de informações parece estar lenta, por incrível que essa geração tecnológica possa crer.

O autor americano Mark Manson, disse em um recente artigo:

Existe uma quantidade maior de informação rolando por aí, maior que a quantidade de informação que nós podemos assimilar. Pra que a minha informação seja percebida pelo meu público alvo, eu tenho que dar um jeito de chamar a atenção. É aí que as pessoas/organizações metidas ao exibicionismo se dão bem: ganha aquele que chamar mais atenção, não importando se o conteúdo é bom ou ruim, se faz sentido ou é nonsense.

Vemos como reflexo deste fenômeno, a mídia, como sites respeitados, tornando rotineira a apelação para os chamados “títulos caça-cliques” com o intuito de chamar a atenção cada vez mais disputada em troca de um retorno desconhecido. Falando sobre celebridades, ou algo do tipo … usando o exemplo do artigo, a Srta. Kim Kardashian: nasceu rica, (não há problema nisso) ficou famosa depois de trepar com alguns rappers, não tem talento artístico nenhum, muito menos talento intelectual (como alguns fãs da mesma dizem ao assistirem um reality show sobre a vida de sua família), e mesmo assim, está na mídia quase todos os dias porque fez ou falou alguma merda e conseguiu chamar a atenção do público (geralmente tirando fotos da bunda ou dos peitos, estratégia clássica, muito repetida por garotas e garotos nas redes sociais, em uma busca insaciável por atenção, os famosos attwhore).

Esse tipo de “economia” descrito pelo artigo acaba encaminhando boa parte das pessoas comuns ao desespero por atenção – o que eu penso, pode ter ajudado a fomentar a inveja e outros sentimentos ruins nas pessoas. Daí que, se a gente não filtrar o conteúdo bom do conteúdo “desesperado” (por exemplo, no feed de notícias do facebook), a gente acaba tendo a impressão de que tá todo mundo agindo igual retardado, quando na verdade é só uma parcela de exibicionistas profissionais/patológicos, porém, que cada vez mais influenciam uma sociedade carente.

Sobre a perda de privacidade, veja essa entrevista que o Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo deu, em 1958:

Ele previu com bastante precisão o que estamos vivendo hoje.

A sociedade (e eu incluso) se entrega á tecnologia e a ciência com afinco confundindo-as com o verdadeiro saber. A consequência está acima;  se uma geração não tem a sabedoria como bem maior jamais achará o norte, e daí surgirá toda a confusão. O homem fútil se baliza pelo homem médio, o homem médio, por sua vez, tem como referência o homem sábio. Porém, se o sábio já não é mais referência, de duas uma, ou o homem médio toma como modelo outro médio e cai numa mediocridade maior que a própria, ou toma como modelo o homem fútil, aquele que tem a ordem dos bens quase que totalmente desordenada, e entra em estado de barbárie contra si e toda a sociedade. Seja qual for a opção escolhida o resultado será o que estamos vendo hoje.

Paremos de nos esconder, para não virarmos homens fúteis.

Dica da segunda: O Complexo de Vira-latas

Dica da segunda: O Complexo de Vira-latas

Para refletirmos um pouco á respeito do pensamento brasileiro e da nossa individualização, vamos de Nelson Rodrigues? O clássico “O brasileiro não é um zero à esquerda.” Afinal, qual é o nosso problema?

O termo Complexo de Vira-Latas denomina um sentimento característico de determinadas classes da sociedade brasileira. Esse sentimento, marcado por derrotismo, pessimismo e má informação, está muito ligado à negação do que somos como brasileiros. O documentário O Complexo de Vira-Latas explica esse sentimento, discute o tema e faz um breve panorama social e político da realidade brasileira.

ESPECIAL Consumismo – Você compra o que não precisa !

ESPECIAL Consumismo – Você compra o que não precisa !

A maioria das pessoas não tem ideia de que podem estar sendo enganadas e observadas todos os dias. Calma, não há nada aqui de 1984, Big Brother, espionagem, etc. Todos temos pensamentos, desejos, no qual tentamos idealizar e ás vezes não percebemos. Você já se pegou comprando algo de que se arrependeu depois, que não servia pra nada ? Parabéns, você é mais um(a) a cair no conto do consumismo.

Boa parte do que pensamos tem relação com o que vemos, e somos induzidos, manipulados; nossas ações provém em boa parte do inconsciente, segundo a psicanálise. Porém, o que ocorre caso alguém consiga dominar, interpretar e influenciar as ações de outras pessoas ? Voltemos á história para entendermos o por quê somos dominados:

Desde os anos 20 com o surgimento da psicanálise (Freud), a manipulação da mente humana começou a ser debatida; foi utilizada nos EUA para a manipulação das massas e criação de uma sociedade de consumo até à atualidade, passando pela contraposição das teorias freudianas por filósofos e psicoterapeutas nos anos 60/70, caracterizando vários movimentos sociais e políticos e as técnicas utilizadas pelo capitalismo para controlar o indivíduo através do estudo da mente.

Daí surge o nome de Edward Bernays (1891 – 1995), sobrinho de Freud, considerado o pai da ciência chamada Relações Públicas. Defendia idéias polêmicas como a noção de que a manipulação consciente e inteligente das idéias das massas era fundamental à democracia. Também foi o criador da propaganda moderna, que vende valores ao invés de funcionalidade.

“A manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e das opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam esse mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder governante em nosso país.”

“Somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos são formados e nossas ideias são sugeridas, em grande parte, por homens sobre os quais nunca ouvimos falar. Este é um resultado lógico do modo como nossa sociedade democrática está organizada. Vastos números de seres humanos precisam cooperar dessa maneira para que possamos viver juntos como uma sociedade perfeitamente funcional.”

“Nossos governadores invisíveis, em muitos casos, não sabem a identidade dos outros membros no gabinete mais interno.” [Edward Bernays, Propaganda].

Com base nas ideias de seu tio, ele ensinou aos empresários americanos como podiam fazer com que as pessoas desejassem coisas das quais não necessitavam. Estava nascendo a ideia política de “como contolar as massas”: satisfazendo os desejos inconscientes das pessoas para torná-las felizes e dóceis. Era o pontapé inicial da era do consumismo.

Logo de início Bernays já demonstrou ser um baita marqueteiro pois criou o termo Relações Públicas substituindo a palavra propaganda já que esta estava mal vista por causa de seu uso pelos alemães.

A certa altura se perguntou se poderia ganhar dinheiro manipulando o inconsciente das pessoas e como assessor de um grande industrial do fumo lançou-se à sua primeira tarefa: convencer as mulheres a fumar em público (um tabu na sociedade da época). Convencido de que o cigarro é um símbolo fálico com idéias de poder, independência e liberdade embutidos nele, percebeu que poderia fazer com que o cigarro fosse adotado pelas mulheres como um desafio ao poder masculino. Com uma certeira e espalhafatosa jogada de marketing o conseguiu, aumentando incrivelmente as vendas de cigarro para o seu contratante.

Até então a publicidade se focava nas necessidades do povo e era dirigida ao seu lado racional. Bernays iria mudar essa ótica, pois já que seu tio tinha dito que o homem é controlado por impulsos irracionais, ele percebeu que poderia influenciar as pessoas apelando para o seu lado inconsciente e desenvolveu técnicas de persuasão a partir desses impulsos. É o que vemos acontecer até os dias atuais na publicidade e propaganda.

Em 1930, um banqueiro da Lehman Brothers, considerando que seu banco estava faturando pouco, decidiu: nós precisamos mudar a cultura americana da necessidade para o desejo, as pessoas têm de ser treinadas para desejar novas coisas. O encarregado de mudar tal mentalidade foi Bernays. Este, então, criou uma campanha para convencer as pessoas a pegar empréstimos para comprar ações (o que mais tarde teria suas consequências no crash da bolsa de 29).

Em 1929 Hoover é eleito e diz para seus assessores em RP (Bernays já havia feito vários discípulos) que deveriam transformar as pessoas em “máquinas de felicidade em constante movimento” ou “máquinas-chave para o progressso econômico”. Estava sendo criada uma nova maneira de como dirigir a democracia de massas, sua chave era o consumismo per si.

As ideias de Matthew Lipman (filósofo americano influente na época) e Bernays contaminaram a democracia e a transformaram num paliativo – “se continuar-se a estimular o lado irracional dos humanos, a elite pode continuar fazendo o que quiser” (as massas não têm capacidade racional para governar-se, pois são comandadas por impulspos primitivos).

A ideia de democracia para Bernays era manter as relações de poder metendo-se na vida psicológica das pessoas quando isso fosse necessário. Incutiu no povo a crença de que não poderia haver democracia sem o capitalismo – “a democracia se reduz de uma cidadania ativa para um consumidor passivo”.

As barbáries nazistas constatadas durante a Segunda Grande Guerra levaram os governantes americanos a voltar à ideia de que as massas são controladas por inconscientes perigosas forças destruidoras. O governo americano, grandes corporações e a CIA uniram-se para desenvolver técnicas que controlassem a mente do povo americanoporque temiam que o lado humano irracional poderia tomar conta do povo e repetir o comportamento dos alemães durante a guerra.

Gigantesco experimento social para controlar a vida mental interior do povo americano foi criado, o programa “Saúde Mental da Nação” (lei aprovada pelo presidente Truman em 1946).

Centenas de psicanalistas foram treinados para aplicar as ideias de Anna Freud. Ela acreditava que era possível ensinar às pessoas como controlar as irracionais forças internas. Havia realizado a terapia de algumas crianças e considerou que seu método era válido (há que ensinar às crianças a ajustar-se às regras da sociedade), o que foi desmistificado posteriormente, mas, infelizmente, anos mais tarde.

No final da década de 1950 a CIA investiu milhões de dólares nos departamentos de psicologia das universidades americanas, financiando secretamente experimentos para controlar as forças internas das pessoas. Destacou-se nesta época Ewen Cameron que, como outros tantos psicanalistas, acreditava que dentro do ser humano residiam forças que ameaçavam a sociedade. Acreditava também que era possível eliminar da memória dos indivíduos tudo aquilo, que no seu critério, não era positivo à sociedade. Com este objetivo submeteu seus pacientes a doses maciças de eletrochoques, consumo de LSD e outras drogas procurando apagar a memória deles e posteriormente incluir nessa “tabula rasa” novos conteúdos, novos comportamentos. O resultado de suas experiências foi um completo desastre, pois deu origem a uma dezena de pessoas desmemoriadas de sua vida prévia e somente com a habilidade de repetir frases como: “estou contente comigo mesmo”.

Outros experimentos financiados pela CIA também resultaram num fracasso. Os estudiosos envolvidos finalmente começaram a se dar conta do quão difícil era comprender e controlar os mecanismos da mente humana.

Em 1978 um grupo de economistas e psicólogos da Stanford Research University decidiram encontrar uma maneira de ler, medir e cumprir os desejos dos novos imprevisíveis consumidores (os que queriam a autoexpressão). Foi criado então o “marketing por estilo de vida”.

Novos instrumentos de pesquisa psicológica do consumidor foram criados (os chamados grupos de discussão – focus groups) para explorar os sentimentos dos grupos divididos pelo “estilo de vida”. Posteriormente as empresas passam a fabricar produtos que permitam aos componentes desses grupos expressar o que consideram sua individualidade. A geração que uma vez já tinha se revoltado contra o consumismo, agora se rende ao mesmo porque o ajuda a ser a si mesmo (filosofia do eu centrado em si próprio).

Resumindo, podemos constatar que para criar-se uma sociedade estável é preciso reconhecer que o cidadão comum compensa suas frustrações gastando em auto-gratificações (consumo de produtos).

Dois exemplos da influência de Bernays:

  • Achava que em vez de tentar dinminuir o medo das pessoas em relação ao comunismo este devia ser induzido e incentivado porque, desencadeando medos irracionais, faria americanos leais ao Estado e ao capitalismo de maneira a tornar-se uma arma na “guerra fria”.
  • Seu papel no golpe de Estado da Guatemala em 1953, que culminou com a derrubada do presidente Jacobo Arbenz, eleito com a promessa de promover a reforma agrária em terras da United Fruit Company. Por meio dos jornais, Bernays foi capaz de aumentar o apoio da população ao golpe e à invasão do exército norteamericano, porém não pôde evitar a guerra civil que durou 36 anos e resultou em mais de um milhão de guatemaltecos mortos. (http://www.ip.usp.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=1927:v3n1a09-a-engenharia-do-consentimento&catid=340&Itemid=91)

A Padronização do Pensamento Humano

A fusão das empresas de mídia nas últimas décadas gerou uma pequena oligarquia de conglomerados de mídia. Nos EUA, o programa de TV que acompanhamos, a música que ouvimos, os filmes que assistimos e o jornais que lemos são todos produzidos por CINCO corporações. Os proprietários desses conglomerados têm vínculos com a elite mundial e, de muitas formas, SÃO a elite. Possuindo todos os veículos possíveis, tendo o potencial de chegar até as massas, esses conglomerados têm o poder de criar nas mentes das pessoas uma cosmovisão única e coesiva, engendrando uma “padronização do pensamento humano”. Até mesmo os movimentos ou estilos que são considerados marginais são, na verdade, extensões do pensamento da corrente dominante. As mídias de massa produzem seus próprios rebeldes que definitivamente parecem marginais, mas ainda são parte do sistema e não questionam nada dele. Artistas, criações e ideais que não se encaixam no modo de pensar da corrente dominante são sumariamente rejeitados e esquecidos pelos conglomerados, o que, por sua vez, os faz virtualmente desaparecer da sociedade. Entretanto, as ideias que são consideradas válidas e desejáveis para serem aceitas pela sociedade são magistralmente anunciadas para as massas de modo a normatizá-las e torná-las autoevidentes.

Em 1928, Edward Bernays já via o imenso potencial do cinema para padronizar o pensamento:

“A indústria do cinema é a maior transmissora inconsciente da propaganda no mundo hoje. Ela é uma grande distribuidora de ideias e opiniões. Os filmes podem padronizar as ideias e hábitos de uma nação. Como os filmes são feitos para atender às demandas do mercado, eles refletem, enfatizam e até exageram as tendências populares mais amplas, em vez de estimularem novas ideias e opiniões. Os filmes do cinema fazem uso somente de ideias e fatos que estão em voga. Da mesma forma como o jornal busca fornecer notícias, a indústria do cinema busca fornecer entretenimento.” [Edward Bernays, Propaganda; tradução nossa].

Estes fatos foram sinalizados como perigosos à liberdade humana nos anos 1930 pelos pensadores [marxistas] da Escola de Frankfurt, como Theodor Adorno e Herbert Marcuse. Eles identificaram três principais problemas com a indústria cultural. A indústria pode:

  • Reduzir os seres humanos ao estado da massa, dificultando o desenvolvimento de indivíduos emancipados, que sejam capazes de tomar decisões racionais;
  • Substituir o ímpeto legítimo por autonomia e autoconscientização pela preguiça segura do conformismo e da passividade; e
  • Validar a ideia que os homens na verdade procuram escapar do mundo absurdo e cruel em que vivem, perdendo-se em um estado hipnótico de autossatisfação.

A noção de escapismo é até mais relevante hoje com o advento dos jogos de computador on-line, filmes e aparelhos de televisão em terceira dimensão. As massas, que estão constantemente buscando entretenimento em alta tecnologia, procurarão produtos extremamente caros que somente podem ser produzidos pelas grandes empresas de mídia do mundo. Esses produtos contêm mensagens e símbolos cuidadosamente calculados que não são nada mais e nada menos que propaganda de entretenimento. O público está sendo treinado a AMAR sua propaganda, chegando ao ponto de gastar seu dinheiro suado para ser exposto a essa propaganda. A propaganda (usada no sentido político, cultural e comercial) não é mais coerciva ou uma forma de comunicação autoritária encontrada nas ditaduras; ela se tornou o sinônimo de entretenimento e prazer.

“Com relação à propaganda, os primeiros defensores da alfabetização universal e uma imprensa livre previram somente duas possibilidades: a propaganda poderia ser verdadeira, ou poderia ser falsa. Eles não previram aquilo que de fato aconteceu, acima de tudo em nossas democracias capitalistas ocidentais — o desenvolvimento de uma vasta indústria de comunicações em massa, preocupada no principal não com o verdadeiro ou o falso, mas com o irreal, o mais ou menos totalmente irrelevante. Em resumo, eles falharam em levar em conta o quase infinito apetite humano pelas distrações” [Aldous Huxley, Prefácio de Admirável Mundo Novo].

Uma única matéria de mídia frequentemente não tem um efeito duradouro sobre a psiquê humana. Entretanto, a mídia de massa, por sua natureza onipresente, cria um ambiente vivo que nos envolve diariamente. Ela define a norma e exclui o indesejável. Do mesmo modo como os cavalos que puxam as carroças usam viseiras para que somente vejam aquilo que está à sua frente, as massas somente podem ver para aonde devem ir.

“É o aparecimento da mídia de massa que torna possível o uso das técnicas de propaganda em uma escala ampla na sociedade. A orquestração da imprensa, do rádio e da televisão para criar um ambiente contínuo, duradouro e total torna a influência da propaganda virtualmente imperceptível precisamente porque cria um ambiente constante. A mídia de massa fornece o elo essencial entre o indivíduo e as exigências da sociedade tecnológica.” [Jacques Ellul].

Uma das razões por que a mídia de massa consegue com sucesso influenciar a sociedade é devido à extensa quantidade de pesquisa nas ciências cognitivas e na natureza humana que tem sido aplicada a ela.

As Técnicas de Manipulação

“A publicidade é a tentativa deliberada de gerenciar a percepção do público sobre um objeto. Os objetos de estudo da publicidade incluem pessoas (por exemplo, políticos e artistas de espetáculos), bens e serviços, organizações de todos os tipos, e obras de arte ou entretenimento.”

O ímpeto para vender produtos e ideias para as massas levou a uma quantidade sem precedentes de pesquisa sobre o comportamento humano e sobre a psiquê humana. As ciências cognitivas, a psicologia, a sociologia, a semiótica, linguística e outros campos relacionados foram e ainda são extensivamente pesquisados por meio de estudos bem-financiados.

“Nenhum grupo de sociólogos pode ser comparado com as equipes de propaganda na coleta e processamento de dados sociais exploráveis. As equipes de propaganda têm bilhões para gastar anualmente em pesquisa e teste das reações, e seus produtos são magníficas acumulações de materiais sobre a experiência e as emoções compartilhadas de toda uma comunidade.” [Marshal McLuhan, The Extensions of Man; tradução nossa].

Os resultados desses estudos são aplicados aos anúncios, filmes, vídeos de músicas e outras mídias de modo a torná-los o mais influentes quanto possível. A arte do marketing é altamente calculada e científica porque precisa alcançar tanto o indivíduo quanto a consciência coletiva. Em produtos culturais com um grande orçamento, um vídeo nunca é “simplesmente um vídeo”. As imagens, símbolos e significados são cuidadosamente colocados de modo a gerar um efeito desejado.

“É com o conhecimento do ser humano, de suas tendências, desejos, necessidades, mecanismos psíquicos, automatismos, bem como com o conhecimento da Psicologia Social e da Psicologia Analítica que a propaganda refina suas técnicas.” [Propagandes, Jacques Ellul; tradução livre].

A propaganda atualmente quase nunca usa argumentos racionais ou lógicos. Ela explora diretamente as necessidades e instintos mais primais do ser humano de modo a gerar uma resposta emocional e irracional. Se sempre pensássemos de forma racional, provavelmente não teríamos comprado 50% daquilo que temos. Bebês e crianças são constantemente vistos em anúncios direcionados às mulheres por uma razão específica: os estudos mostraram que as imagens de crianças acionam nas mulheres uma necessidade instintiva de nutrir, de cuidar e de proteger, o que no fim leva a uma inclinação favorável ao anúncio.

O sexo é uma presença constante na mídia de massa, pois atrai e mantém a atenção do espectador. Ele se conecta diretamente às nossas necessidades animais de acasalar e reproduzir e, quando acionado, esse instinto pode ofuscar instantaneamente quaisquer outros pensamentos racionais no nosso cérebro.

A Percepção Subliminar

E se as mensagens descritas acima pudessem alcançar diretamente a mente subconsciente do espectador, sem que ele percebesse o que está acontecendo? Este é o objetivo da percepção subliminar. A frase “propaganda subliminar” foi criada em 1957 pelo pesquisador de mercado James Vicary, que dizia que poderia fazer aqueles que vão ao cinema “beber Coca-Cola” e “comer pipoca” exibindo essas mensagens na tela por um rápido momento e os espectadores não se dariam conta que viram aquelas mensagens.

“A percepção subliminar é um processo deliberado criado por técnicos em comunicações, pelo qual você recebe e responde às informações e instruções sem estar conscientemente ciente dessas instruções.” [Steve Jacobson, Mind Control in the United States].

Esta técnica é frequentemente usada no marketing e todos sabem que o sexo vende qualquer produto.

Embora algumas fontes afirmem que a propaganda subliminar seja ineficaz, ou até mesmo uma lenda urbana, o uso documentado dessa técnica na mídia de massa prova que os criadores acreditam em seu poder. Estudos recentes também provaram sua eficácia, especialmente quando a mensagem é negativa.

“Uma equipe da University College London, financiada pelo Wellcome Trust, descobriu que a percepção subliminar era particularmente boa para instilar pensamentos negativos. ‘Há muita especulação sobre o fato de as pessoas poderem processar informações emocionais inconscientemente, por exemplo, figuras, faces e palavras’, disse o professor Nilli Lavie, que chefiou a pesquisa. ‘Mostramos que as pessoas podem perceber o valor emocional das mensagens subliminares e demonstramos conclusivamente que elas estão muito mais sintonizadas com as palavras negativas.'”

Um exemplo famoso de mensagem subliminar na comunicação política foi um anúncio na campanha presidencial de George Bush contra Al Gore, em 2000. Assista ao vídeo aqui: 

Logo após o nome de Al Gore ser mencionado, o fim da palavra “bureaucrats” (burocratas) – “rats” (ratazanas) – aparece na tela por uma fração de segundo.

A descoberta desse truque causou certo alvoroço e, embora não existam leis contra as mensagens subliminares nos EUA, o anúncio foi retirado da televisão.

Como visto em muitos artigos no site The Vigilant Citizen, as mensagens subliminares e semissubliminares são frequentemente usadas em filmes e vídeos musicais para comunicar mensagens aos espectadores.

Dessensibilização

No passado, quando mudanças eram impostas à população, as pessoas tomavam as ruas, protestavam e até provocavam tumultos. A principal razão para esse choque era devido ao fato de a mudança ser anunciada claramente pelos governantes e compreendida pela população. O anúncio era súbito e seus efeitos podiam ser claramente analisados e avaliados. Hoje, quando a elite precisa que uma parte de sua agenda seja aceita pelo público, isto é feito por meio da dessensibilização. A agenda, que pode ser contrária aos melhores interesses do público, é apresentada lenta, gradual e repetidamente ao mundo por meio dos filmes (colocando-a como parte do enredo), dos videoclipes musicais (que fazem com que pareça boa e atraente sexualmente) ou das notícias (que a apresentam como solução para os problemas atuais). Depois de expor as massas a uma determinada agenda durante vários anos, a elite apresenta abertamente o conceito para o mundo e, devido à programação mental, aquilo é recebido com indiferença geral e é aceito passivamente. Essa técnica tem sua origem na psicoterapia:

“As técnicas da psicoterapia, amplamente praticadas e aceitas como modos de curar os distúrbios psicológicos, também são métodos de controlar as pessoas. Elas podem ser usadas sistematicamente para influenciar as atitudes e o comportamento. A dessensibilização sistemática é um método usado para dissolver a ansiedade para que o paciente (o público) não fique mais atribulado por um medo específico, por exemplo, o medo da violência. […] As pessoas se adaptam às situações aterrorizadoras se forem expostas a elas por tempo suficiente.” [Steven Jacobson, Mind Control in the United States; tradução nossa].

A programação preditiva é frequentemente encontrada no gênero da ficção científica. Ela apresenta uma imagem específica do futuro — um futuro que é desejado pelas elites — e no fim aquilo é aceito como inevitável nas mentes das pessoas. Uma década atrás, o público foi dessensibilizado para a guerra contra o mundo árabe. Hoje, a população está sendo exposta gradualmente à existência do controle mental, do transhumanismo e de uma elite Illuminati. Surgindo das sombras, esses conceitos estão agora em toda a parte na cultura popular. Isto é o que a autora ocultista Alice Bailey descreve como a “Exteriorização da Hierarquia”: os governantes ocultos revelando-se lentamente para as massas.

Simbolismo Ocultista na Cultura Pop

Ao contrário das informações apresentadas acima, a documentação sobre o simbolismo ocultista é difícil de encontrar. Isto não deve ser surpresa, pois o termo “oculto” significa literalmente “escondido”. Também significa “reservado para aqueles que foram escolhidos para conhecer”, pois somente é comunicado para aqueles considerados dignos de receber aquele conhecimento. Ele não é ensinado nas escolas, nem é discutido na mídia. Ele é, portanto, considerado marginal ou até mesmo ridículo pela população em geral.

Todavia, o conhecimento oculto NÃO É considerado ridículo nos círculos ocultistas. Ele é considerado perene e sagrado. Há uma longa tradição de conhecimento hermético e ocultista que é ensinada por meio das sociedades secretas desde o tempo dos antigos egípcios, dos místicos orientais, dos Cavaleiros Templários, até os maçons dos dias modernos. Embora a natureza e a profundidade desse conhecimento tenham provavelmente sido modificadas ao longo dos séculos, as escolas de mistério mantiveram seus principais aspectos, que são altamente simbólicos, ritualísticos e metafísicos. Esses aspectos, que eram uma parte intrincada das civilizações antigas, foram totalmente removidos da sociedade moderna e substituídos pelo materialismo pragmático. Por esta razão, existe um grande vão de compreensão entre a pessoa mediana pragmática e o sistema ritualístico.

“Se essa doutrina mais interna sempre foi escondida das massas, para quem um código mais simples foi criado, não é altamente provável que os expoentes de todos os aspectos da civilização moderna — filosófico, ético, religioso, e científico — sejam ignorantes do verdadeiro significado das próprias teorias e dogmas com base nas quais suas crenças foram fundamentadas? Será se as artes e ciências que a humanidade herdou das nações mais antigas escondem debaixo de seu belo exterior um mistério tão grande que somente o intelecto mais iluminado pode compreender sua importância? Sem qualquer dúvida, tal é o caso.” [Manly P. Hall, Secret Teachings of All Ages; tradução nossa].

O “código mais simples” criado para as massas são as religiões organizadas. Esse código está agora se tornando o Templo da Mídia de Massa e prega diariamente para elas materialismo extremo, vazio espiritual e uma existência mesquinha e centrada em si mesmo. Isto é exatamente o oposto dos atributos necessários para se tornar um indivíduo verdadeiramente livre, conforme ensinado por todas as grandes escolas filosóficas de pensamento. Uma população estupidificada é mais fácil de enganar e de manipular?

“Estes escravos cegos ouvem dizer que são ‘livres’ e ‘altamente educados’, ao mesmo tempo que marcham seguindo os sinais que fariam qualquer camponês medieval fugir, gritando aterrorizado. Os símbolos que o homem moderno adota com a confiança ingênua de uma criança seriam equivalentes a grandes placas com os dizeres: “Siga por esta via para encontrar sua morte e a servidão” para a compreensão do camponês tradicional da antiguidade. [Michael A. Hoffman II, Secret Societies and Psychological Warfare; tradução nossa.].

Conclusão

Este artigo examinou os principais pensadores no campo da mídia de massa, a estrutura de poder da mídia e as técnicas usadas para manipular as massas. Acredito que estas informações sejam vitais para a compreensão do “porquê” nos tópicos discutidos no site The Vigilant Citizen. A dicotomia “massa populacional” versus “classe governante” descrita em muitos artigos não é uma “teoria da conspiração” (novamente, não gosto de usar esse termo), mas uma realidade que já foi definida de forma bem clara nas obras de alguns dos homens mais influentes do século 20.

Lippmann, Bernays e Lasswell declararam que o público não tem capacidade de decidir sobre seu próprio destino, o objetivo inerente da democracia. Em vez disso, eles propuseram uma criptocracia, um governo oculto, uma classe governante responsável pela “manada confusa”. Como as ideias deles continuam a ser aplicadas na sociedade, é cada vez mais aparente que uma população ignorante não é um obstáculo com o qual os governantes precisam lidar: É algo DESEJÁVEL e, de fato, necessário, para garantir a plena liderança. Uma população ignorante não conhece seus direitos, não busca obter uma maior compreensão dos fatos e não questiona as autoridades; ela simplesmente segue as tendências. A cultura popular atende e alimenta a ignorância servindo continuamente um entretenimento estupidificante e colocando os holofotes em celebridades degeneradas, que se transformam em ídolos. Muitas pessoas me perguntam: “— Existe um modo de interromper isto?” Sim, existe. PARE DE CONSUMIR O EXCREMENTO QUE ELES OFERECEM E LEIA UM BOM LIVRO.

“Se uma nação espera ser ignorante e livre, ela espera aquilo que nunca existiu e nunca existirá.” [Thomas Jefferson].

Bibliografia: http://www.espada.eti.br/midia.asp

Para assistir os fatos históricos com conversas sobre Bernays e a Manipulação de Massas pela Propaganda, clique abaixo (as outras partes estão disponíveis no próprio vimeo):

Como as escolas transformam crianças em adultos medíocres

Como as escolas transformam crianças em adultos medíocres

Uma reflexão acerca do sistema educacional que desperdiça talentos e faz do estudo um desprazer.

O mundo muda cada vez mais rapidamente. Para transpor os novos desafios, precisa-se, mais do que nunca, de pessoas que pensem criticamente e ajam proativamente. Pessoas capazes de olhar para os problemas e conceber soluções. Capazes de analisar, inovar, criar e reinventar.

Contraditoriamente, não é esse tipo de pessoas que estamos formando.

Logo nos primeiros anos de vida, inserimos as crianças em um sistema educacional que as converte em adultos consumidores, e não criadores de conhecimento. Adultos que deixam de explorar seus talentos para se enquadrar em padrões medianos. Adultos que tiveram sua criatividade tolhida e seu pensamento crítico inibido. Adultos que não buscam ideias e conhecimentos por conta própria.

Eis algumas razões pelas quais o modelo educacional vigente é obsoleto e as sequelas deixadas em cada um que passa por ele.

Ambiente escolar totalmente desfavorável

As escolas são indústrias. Essa metáfora de Ken Robinson, um dos grandes especialistas em educação da atualidade, talvez seja a que melhor descreve o funcionamento da esmagadora maioria das escolas ao redor do mundo.

Assim como em uma indústria, as escolas agrupam os seus alunos em lotes: as chamadas turmas. Em uma sala de aula, cada lote passa por uma rotina repetitiva, na qual profissionais especializados — os professores — desempenham seus papeis de maneira departamentalizada, ensinando conteúdos isoladamente, mesmo que na verdade todo o conhecimento esteja entrelaçado, e não segmentado em pacotes de disciplinas. Sirenes tocam indicando que é hora da aula atual ser interrompida para dar lugar à próxima. Quando os alunos já passaram por vários anos de repetições diárias desse ciclo, recebem o rótulo de “formados”, o que significa que o lote está pronto para ir para o mercado.

Infelizmente, não para por aí. Além de fábricas, as escolas também possuem características de presídios. Elas cerceiam a liberdade dos alunos. Todos têm hora para entrar, hora para ir para o pátio e hora para sair. Há inspetores vigiando os estudantes e punições — advertências, suspensões, expulsões — para os que tiverem mau comportamento.

Esse conjunto de medidas faz com que as escolas suprimam o desejo de aprender, ao invés de despertar a curiosidade e estimular a inteligência. Tomando emprestada a metáfora do fascinante educador Rubem Alves, pode-se concluir que as escolas, em sua maioria, são gaiolas, quando na verdade deveriam ser asas.

Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

– Rubem Alves

Escola de cinco décadas atrás e escola de hoje: pouca coisa mudou.

O modus operandi que norteia o funcionamento de praticamente todas as escolas é o mesmo há muitas décadas. As poucas mudanças que aconteceram não foram de caráter educacional, e sim cultural, como o surgimento das escolas mistas e o fim dos internatos. Fora isso, as escolas em que você estudou seguem os mesmos paradigmas das escolas em que seus avós estudaram. Salas de aula, lousas, cadernos e a velha relação dual: “o professor ensina e o aluno aprende”.

Foco na memória, e não na habilidade de pensar

Ao invés de ensinar os alunos a pensar, as escolas os obrigam a digerir grandes quantidades de informações. Em aulas puramente expositivas, transmite-se o o conteúdo, que, posteriormente, é cobrado em uma prova— a maneira que as escolas encontraram para mensurar o aprendizado. Isso é bastante curioso, porque as provas, em geral, exigem que os alunos apenas reproduzam o que lhes foi “ensinado”, e não que desenvolvam seu raciocínio, senso crítico e a habilidade de relacionar fatos para tirar conclusões. Basicamente, na escola, os alunos são treinados para memorizar informações e despejá-las em avaliações escritas.

Inibição da criatividade

As escolas instituem desde o começo que serão feitas perguntas, e que cada pergunta admite apenas uma resposta correta. Se o aluno não responde exatamente o que lhe foi ensinado, ele errou. E é bom que não erre muitas vezes. Caso contrário, ele não passará de ano. O aluno aprende que ele não tem liberdade para pensar fora da caixa.

Conteúdos nem sempre relevantes

O cenário em uma sala de aula é, quase sempre, o mesmo: alunos sentados durante várias horas anotando o que o professor ensina. Não importa se o assunto lhes interessa ou se terá utilidade no futuro. Na verdade, as escolas desperdiçam boa parte do tempo e da energia dos alunos com assuntos desnecessários, quando poderiam estar desenvolvendo habilidades relevantes para a vida pessoal e profissional.

As escolas ensinam que a democracia surgiu na Grécia Antiga, mas não despertam nos alunos o pensamento crítico para avaliar o nosso cenário político e tomar melhores decisões. As escolas ensinam equações de segundo grau e logaritmos, mas não instruem sobre noções básicas de economia ou finanças pessoais. As escola ensinam o que são dígrafos e sujeitos desinenciais, mas não formam pessoas que saibam explorar os recursos da linguagem na hora de se comunicar com clareza.

Padronização do ensino

O ensino é o mesmo para todos. Um aluno que se interessa mais por uma determinada área não tem, dentro da maioria das escolas, a oportunidade de se aprofundar nela. Alunos com capacidades e interesses distintos são agrupados simplesmente por terem idades iguais, freando o desenvolvimento dos que têm mais facilidade e ignorando as necessidades especiais dos que possuem dificuldades. Além disso, as escolas conduzem o ensino sempre da mesma maneira, ignorando o fato de que cada aluno se adapta melhor a um tipo de aprendizado: visual, auditivo, cinestésico, entre outros.


Ao passar por todas as falhas desse modelo educacional, as crianças não ficam ilesas de suas consequências: redução da capacidade criativa, desprezo pelo ato de estudar, pouca habilidade para pensar por si próprias, estresse e acúmulo de muitas informações dispensáveis.

O mundo mudou, mas as escolas continuam presas a décadas atrás. Ao invés de doutrinar os alunos para se tornarem cidadãos obedientes e passivos, elas precisam estimulá-los a pensar de maneira inovadora e lidar com problemas reais — que são muito diferentes de um enunciado aguardando uma resposta decorada. Quando isso acontecer, chegaremos ao cerne da resolução de boa parte dos problemas contemporâneos.

E, quiçá, de uma verdadeira revolução.

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
— Nelson Mandela

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