Adeus Alex, nosso último canhoto

Adeus Alex !
Adeus Alex !

Meu pai leva uma velha ideia que no meio futebolistico durante os anos 50, 60, virou bordão no interior do futebol e em algumas rádios: “esse jogador é canhoto ? assim explica sua classe”

Essa possível “máxima” pode ser concluida com Hagi, Rivellino, Pelé (ambidestro mas chutava muito bem com com a esquerda), Messi, Maradona, Van Persie, Robben, Di María, Canhoteiro, Ruud Krol, Stoichkov, Di Stefano, Puskas, Roberto Carlos, Maldini, UFA !

Estradivários são violinos que foram produzidos entre os séculos XVII e XVIII pelo luthier Antonio Stradivari. São considerados os mais perfeitos destes instrumentos e até hoje, após muitos estudos, os cientistas não conseguiram reproduzir os sons deles com perfeição em novos violinos. Alex é um desses instrumentos, um jogador do tipo que não fazem mais.

Muitas homenagens já foram feitas sobre a carreira de Alex. Faltava uma homenagem do próprio. Não mais. Alex nos deixa de presente a sua última mensagem – e que mensagem – como jogador de futebol profissional.

Ao se aposentar dos campos, Alfredo Di Stéfano, grande craque argentino, destacou o feito em um quadro em sua sala uma bola com a legenda “Graças, Vieja”, que significa “Obrigado, Velha”. Faz tempo que venho cada vez mais compreendendo esse sentimento, que hoje me toma por completo.

Trechos de uma belíssima entrevista dada ao Globo Esporte em um balanço sobre a sua carreira:

Não existe mais jogador com as suas características ?

Sumiu. E não vai voltar. Aqui, no futebol brasileiro, não tem mais. Pode procurar em cada time no Brasil que não vai encontrar. Podemos procurar meninos de 14 anos e de repente tem alguém, mas no futebol de hoje, na primeira e na segunda divisão, não tem ninguém.

Qual o reflexo disso? O sumiço do camisa 10 pode alterar a forma de jogar?  

Já mudou. Não temos mais o estilo brasileiro. Quem joga no estilo brasileiro? Depois que o Barcelona ganhou do Santos (por 4 a 0, na final do Mundial de Clubes de 2011), entrevistaram o Guardiola. Ele disse que faz aquilo que os brasileiros faziam lá trás. E nós copiamos o que os europeus faziam lá atrás. Hoje, com essa globalização, eles juntaram o que tinha de bom, que era essa parte tática e a determinação daquilo que o treinador pede, com a qualidade técnica. Nós diminuímos a qualidade técnica e, por natureza, não temos a condição mental de fazer o que os europeus fazem desde criança. Acredito que perdemos um pouco o caminho da história, mas é recuperável. É cíclico, tudo pode mudar. A gente é que tem que começar a discutir e fazer algo diferente com os meninos de 13, 14 anos para que, daqui a três ou quatro anos, tenhamos essas características novamente.

Após sua aposentadoria você vai querer um tempo para descansar depois de parar? Vai ser treinador? 

Vou fazer um curso de treinador, mas isso não quer dizer que eu vá virar treinador. Vou buscar as credenciais para ser.

622_e65d58b4-1b5a-3578-a4f0-77fe9f958ae4O que acha que precisa fazer e que tempo levará para ter as credenciais?

Quanto a tempo, não sei. Existe uma lei no Brasil, que é ridícula, que me permite virar treinador em janeiro, só assinando meu nome no sindicato dos treinadores. Eu não quero, mas poderia. Acho isso um absurdo. Eu ter jogado tanto tempo não me credencia a ser treinador. Em nada. Só vivi o lado de dentro, agora preciso viver o de fora.

Outra área do futebol te interessa?   

Organizador, gerente, manager, seja qual for o nome, isso me interessa. Acho que, falando aqui do Coritiba, o clube precisa montar uma filosofia, porque senão a cada fim de temporada vamos estar discutindo a mesma coisa. Se a temporada foi boa, se as contratações foram legais, por que não usamos o menino bom da base? Esse tipo de situação me agrada. Mas não neste momento.

Há algum time que você gostaria de ter defendido e não defendeu?

Sim, mas não vou falar (risos). Senão… Mas tem um clube que eu gostaria muito de ter jogado, mas infelizmente não aconteceu.

Olhando para trás, o que deixa para o futebol brasileiro? 

Eu não deixo nada. Deixo a minha satisfação, meu respeito e agradecimento. Devo tudo o que tenho ao futebol. Então meu agradecimento ao futebol é eterno. O que eu ofereci para as pessoas? Isso é muito individual. Já encontrei palmeirense que acha que não joguei nada, e respeito. E tem outros que acham que fui o maior jogador que eles viram na história do Palmeiras. A questão maior que eu enfrento é aqui no Coritiba. Muitos falam que sou ídolo do clube, aí vem outro que é antagônico e diz que nunca joguei nada aqui no Coritiba. Então isso é muito individual.

Melhores gols da carreira

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